Quel

As aventuras de pequena Quel

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Episódio de hoje: Ganhando um cachorrinho

A manhã acordou lentamente. O perfume dos panetones assados no dia anterior ainda pairava no ar e se misturava com aquela leve alegria tão típica das manhãs de Natal. Na sala, sentada junto à árvore decorada com anjinhos de madeira, uma pequena garotinha, ainda em seu pijama, aguardava ansiosamente a chegada de seu presente.
Essa esperta garotinha já sabe que Papai Noel não existe, então aperta suas mãozinhas com toda a pequena força que possui, pedindo aos céus que seus pais tenham lhe comprado um vistoso cachorrinho.
*Nada torna a vida mais linda que os sonhos de uma inocente criancinha na manhã de Natal*

Mas, infelizmente, a vida é cheia de “mas”, “porém”, “todavia”, “contudo” e outras tantas adversativas que exprimem tão bem nossas adversidades!
E o “mas” dessa história possui um nome composto e pomposo: Rinite Alérgica. Pois é, aquela meiga garotinha, esperando ganhar o cachorrinho que inundará sua infância com lindas recordações, está prestes a sofrer sua segunda grande decepção. A primeira foi quando enterrou suas moedinhas acreditando que nasceria um pé de dinheiro (o Eto e o Rik juraram que daria certo!).

Voltemos àquela fresca manhã de Natal… E lá estava nossa amiguinha, apertando os lábios com os dentes, olhando esperançosa para o corredor, de onde seus pais viriam trazendo nos braços seu já tão amado bichinho de estimação. Eis que, quando seus pais finalmente adentram o recinto, um acanhado feixe de luz, escapando por entre as cortinas, acerta em cheio os olhos da menininha, fazendo com que ela pisque várias vezes seguidas e leve suas pequenas mãozinhas ao rosto para conter as lágrimas. Alérgica e Fotofóbica. São necessários alguns segundos para que a garotinha recupere a visão e consiga ver, lacrimejando, o que seus progenitores trazem nas mãos: um lindo casal de… tartarugas. Dingou e Bel.

Naquele exato momento, pequena Quel aprendeu uma lição em sua vida: tartarugas são os cachorros das crianças alérgicas. Dez minutos brincando com seu presente e pequena Quel aprendeu uma nova lição: tartaruga não é cachorro coisíssima nenhuma. E coitadinhas das crianças alérgicas!

Seus pais, com a melhor das intenções, tentaram lhe mostrar que aqueles bichinhos seriam mais interativos que os passarinhos da família Faustino (de fato!). E pequena Quel, sendo a boa filha que sempre foi amou aquelas criaturinhas com todo o seu coração e prometeu cuidar delas como se fossem dois vívidos cachorrinhos.

É importante fazermos nesse momento uma singela ressalva. Não pense, caro leitor, que pequena Quel havia ganho um casal de jabutis, os quais poderiam andar independentemente, ainda que lentamente, pela casa. Não! Eram duas tartaruguinhas de aquário, apáticas criaturas que sequer fixavam seus olhos em sua miúda dona.

Os anos foram se passando e pequena Quel dava tudo de si para conseguir brincar com seus animaizinhos de estimação. Ela tirava os bichinhos do aquário, contemplava sua frustrada tentativa de fuga, devolvia-os ao aquário, batia no vidro, servia-lhes petiscos e repetia para si mesma que estava se divertindo muito.
Alegria maior foi quando uma terceira tartaruga veio compor a matilha: a Alcaparras.
Alcaparras era o mais perto de um cachorro que pequena Quel teria por anos. Ela reconhecia o próprio nome e parecia gostar de ter sua barriguinha coçada, pois sempre retribuía o carinho com aquele ronronar mudo tão típico das tartarugas.

Eis que, numa tarde cinzenta, Dingou faleceu. Papai Faustino, sempre tão atento à felicidade de seus filhos, não tardou muito a providenciar um novo macho alfa para a matilha: Dino.
Acontece que Dino possuía um segredo sombrio: era um psicopata assassino. Tudo o que essa tartaruga sanguinária queria era morder, mutilar e se comprazer com o desespero alheio. E, quando ele mordia, era sempre arremessado contra a parede numa tentativa desesperada da vítima de se livrar do seu predador. Um aviso, caro leitor! Antes de se apiedar da criatura, saiba que ela não se machucava ao ser impetuosamente arremessada, ela rapidamente se recompunha e vinha correndo morder os pés de sua presa. Recolher a fera assassina e recolocá-la no aquário exigia coragem, agilidade e mais um pouco de coragem. Graças a ele, mesmo a simples tarefa de alimentar as tartarugas era complicadíssima, pois Dino estava sempre à espreita, pronto para atacar sem dó nem piedade a mão de sua afetuosa dona.

E esses répteis frios e apáticos foram os primeiros cachorros que pequena Quel conheceu em sua vida. Depois veio o Neno, uma fofura de cão-roedor (mas essa é outra história). Por isso, amigo leitor, quando você ver nossa amiguinha brincando com Lady Biscoito de maneira esquisita, lembre-se: Quel ainda não sabe ao certo como é ter um cachorrinho de verdade, então ela faz o melhor que pode com tudo o que aprendeu em suas experiências anteriores.

Written by Quel

dezembro 4, 2014 às 2:30 pm

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