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As aventuras de pequena Quel

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Episódio de hoje: Aprendendo alemão

Aula de alemão. Sala abafada. Calor dos infernos. E fome. Muita fome. Afinal, quem foi que disse que aula de alemão na hora do almoço é mais legal que noite adentro?
A professora entra na sala e faz a chamada. 20 alunos presentes, outros 4 devem estar comendo batatinhas na física ao invés de estudarem o mais-que-perfeito de língua teuta. A professora parece brava, tem cara de má. E pior: só fala alemão em sala de aula! Ela se levanta, caminha pela sala, olha bem o rosto de seus alunos e começa a dar instruções sobre o que eles devem fazer. Pequena Quel, cujas perninhas não alcançam o chão, balança os pés para frente e para trás enquanto entende algumas informações soltas: atividade, 5, alunos, 4, livro, caderno, descer, biblioteca, caixa, dicionários.
E então a professora deixa a sala.

Aos poucos, conversando entre si, os alunos vão montando um quebra-cabeça: atividade para ser feita em grupos de 5, não!, em 5 grupos de 4 alunos; devem usar o livro e anotar as respostas no caderno; a professora vai descer até a biblioteca para buscar a caixa com os dicionários.
Todos, satisfeitos com a aparência final do quebra-cabeça, arrastam carteiras e, vagarosamente, montam grupinhos mal distribuídos pela sala.

A professora retorna, coloca a caixa de dicionários em cima da mesa, chama a estagiária (Leah, alemã, berlinense, gosta de política) e elas começam a conversar entre si em voz baixa. Os alunos também conversam entre si enquanto aguardam instruções. As instruções não chegam. Pequena Quel olha insegura para a professora, para a estagiária, para seus pezinhos, para a Mi, para seus colegas e, então, volta a olhar seus pezinhos enquanto os balança para cá e para lá.

Um aluno levanta e pega um dicionário. Bravo guerreiro! Orgulho de toda uma turma, quiçá de toda uma nação! Outro colega o segue. Pequena Quel se levanta e pega um para si e mais um para cada colega em seu grupo (é preciso fazer amizades para se sobreviver a um semestre de alemão). Em pouco tempo, cada aluno segura um dicionário. E, então, cada um olha para o colega do lado com a expressão de quem quase pergunta. Alguns minutos entram na sala e, ignorando o grupo confuso, logo vão embora, sem oferecer ajuda ou esperar pelo desfecho. É assim que o tempo passa.

Pequena Quel finalmente divide sua angústia com os colegas do grupo, em voz baixa, quase num sussurro: “ela já disse o que temos que fazer?”; um colega do grupo ao lado responde: “acho que sim, deve ser tarefa do livro”. Rapidamente, cada aluno abre seu livro e começa a procurar a tarefa… uma tarefa… qualquer tarefa! A busca é incessante. Aos poucos, vozes inquisidoras vão se tornando cada vez mais altas:
“ela disse mesmo?”,
“deve ter dito!”,
“acho que é o exercício 5”,
“ela falou alguma coisa de caderno”,
“ela também falou ‘allerdings’, mas não entendi o resto”,
“o que é ‘allerdings’?”,
“ale-o-quê?”,
“‘allerdings!”,
“que palavra engraçada!”…

E, assim, mais alguns minutos vão embora. Quando os alunos se dão conta de que não haviam entendido qual era a tarefa, uma pequena vergonha surge na sala e, aos poucos, vai tomando conta da turma. E pequena Quel só consegue olhar para seus pezinhos, para cá e para lá. Mais de quatro semestres de estudos e ninguém havia entendido o que deveria ser feito. Pezinhos. E agora? Para cá. Perguntar? Para lá. Correr o risco de levar uma bronca? Pezinhos. Mas já se passou tanto tempo! Para cá. Alguém vai perguntar logo. Para lá. E logo era tarde demais.
Eis que a estagiária pergunta à professora:
_ O que eles estão fazendo?
E a professora responde surpresa:
_ A tarefa!
_ Que tarefa?
_ A tarefa que eu passei para eles.
_ Mas você não passou tarefa nenhuma o_O

Todos os olhares estão fixos na professora. Ela respira fundo e olha para pequena Quel, que, muito habilmente, concentra-se em seus pezinhos, para lá e para cá. A professora então se dá conta de que não havia passado a tarefa. Ao sair para buscar os dicionários, esquecera-se de que não havia terminado de dar suas instruções. Mas ela está brava. Como ela iria saber que não havia passado a tarefa? Todos estavam com dicionários em mãos, lendo o livro e discutindo em grupo! A vergonha fica cada vez maior, até tomar conta da Unicamp inteira. Os alunos no CB de súbito se sentem envergonhados sem nem saber o motivo. E, na aula de alemão, pequena Quel é toda pezinhos, para cá e para lá.

Written by Quel

dezembro 3, 2014 at 2:30 pm

As aventuras de pequena Quel

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Episódio de hoje: Comprando uma geladeira

Em dezembro de 2012, pequena Quel, que já não é tão pequena assim, comprou uma geladeira da GE. Duplex, 445 litros, Frost Free e o escambau a quatro. Só que a geladeira veio com problemas existenciais. Não tinha vocação para refrigerador. Desde que foi montado, esse eletrodoméstico queria ser um armário. Um armário branco, bonito e imponente… mas um armário. E ao longo do ano nossa heroína teve que lidar com as crises dessa complexa geladeira. E vejam bem, caros leitores, pequena Quel sempre respeitou e defendeu o direito de escolha de seres animados e inanimados. Mas essa não era uma situação comum. Acontece que, em seus ataques, o louco refrigerador acabava ferindo todos ao redor. Vários alimentos não resistiram e, após dias de agonia, pereceram. E existe coisa mais doída na vida que ver uma bandejinha de bacon ser jogada fora? Era uma bandeja com tanto potencial! Poderia ter sido tanta coisa gostosa na vida… mas a GEladeira desvairada, num posicionamento absurdamente autocentrado, roubou do bacon todas as suas possibilidades. E isso pequena Quel não podia perdoar. E não vamos nem falar dos queijos, ok? Esta história já é trágica demais sem ficarmos listando os queridos companheiros que pereceram antes do tempo.

E então, a cada crise, o técnico autorizado era chamado. Ele vinha, conversava com a GEladeira, fazia carinho, trocava os parafusos soltos e fazia com que ela voltasse a gelar. Mas essas crises existenciais se repetiram várias vezes ao longo do ano e, em dezembro de 2013, pequena Quel percebeu que a garantia da GE estava para vencer e que a diaba iria continuar tendo suas crises a cada três meses. Assim, pequena Quel tomou duas importantes decisões: pedir o dinheiro de volta (conforme prevê o código de “defesa” do consumidor) e comprar uma geladeira que fosse assim uma Brastemp.

É claro que conseguir o dinheiro de volta não foi fácil. Foram meses de muita luta e inúmeras ligações no SAC da MABE. A princípio, pequena Quel não estava só: ela tinha o Super-PROCON do seu lado. Levou um tempo até ela perceber que o PROCON só servia para lhe orientar incorretamente e lhe fazer promessas que não era capaz de cumprir. Ainda assim, após quase quatro meses e muito estresse, o dinheiro foi devolvido.
E aí pequena Quel foi toda saltitante comprar uma nova geladeira. Ela tomou banho, colocou uma roupa bonita, arrumou o cabelo, passou perfume e… entrou no site do Extra para comprar sua Brastemp. Depois de tantos meses e de tanta briga para se livrar do encosto da GE, tudo o que ela queria era uma geladeira decente, discreta e que cultuasse bons livros. A compra foi feita e a geladeira foi entregue. Fim? Até parece…

Depois de checar a nota fiscal e as etiquetas externas do produto, pequena Quel disse “tchau” aos simpáticos entregadores e foi abraçar e amar sua Brastemp. Tirar o plástico e as mil proteções de isopor foi uma diversão à parte. Nossa amiguinha pulava feliz da vida para conseguir soltar o plástico que se enroscou na parte de cima do refrigerador! Cenas de sincera felicidade.

Mas nem tudo são flores na vida de pequena Quel… quando ela finalmente foi conectar a bonitinha na tomada, veio a surpresa: 220V. Estranho, pois ela comprou uma 110V.
Nota fiscal: 110V
Etiqueta na porta: 127V
Etiqueta grande atrás da geladeira: 127V
Etiqueta pequena atrás da geladeira: 220V
Etiqueta no plug: 220V
Adesivo no motor: 220V
WTF? Tão brincando de quê?

Essa era para ser a geladeira perfeitinha… aquela que iria refrescar seus dias com chá gelado, cuidar do seu bacon, proteger seus queijos e, de quebra, gelar as taças ao lado da garrafa de champagne francês (pois pequena Quel é chique e manda beijin no ombro).

Agora nossa pequena aventureira parte em uma nova jornada: conseguir trocar a geladeira por uma com a voltagem definida e correta. O prazo informado para a troca é dia 28/03; afinal, geladeira não é algo assim tããão importante. Nossa heroína não estava fazendo nada mesmo, então ela pode se sentar e esperar. No momento só posso dizer que pequena Quel está aceitando doações de caixas de isopor e paciência.
E aí, amiguinhos? Conseguirá pequena Quel ter uma geladeira que funciona?

[Continua…]

Written by Quel

dezembro 2, 2014 at 2:27 pm