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As aventuras de pequena Quel

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Episódio de hoje: Comprando uma geladeira

Em dezembro de 2012, pequena Quel, que já não é tão pequena assim, comprou uma geladeira da GE. Duplex, 445 litros, Frost Free e o escambau a quatro. Só que a geladeira veio com problemas existenciais. Não tinha vocação para refrigerador. Desde que foi montado, esse eletrodoméstico queria ser um armário. Um armário branco, bonito e imponente… mas um armário. E ao longo do ano nossa heroína teve que lidar com as crises dessa complexa geladeira. E vejam bem, caros leitores, pequena Quel sempre respeitou e defendeu o direito de escolha de seres animados e inanimados. Mas essa não era uma situação comum. Acontece que, em seus ataques, o louco refrigerador acabava ferindo todos ao redor. Vários alimentos não resistiram e, após dias de agonia, pereceram. E existe coisa mais doída na vida que ver uma bandejinha de bacon ser jogada fora? Era uma bandeja com tanto potencial! Poderia ter sido tanta coisa gostosa na vida… mas a GEladeira desvairada, num posicionamento absurdamente autocentrado, roubou do bacon todas as suas possibilidades. E isso pequena Quel não podia perdoar. E não vamos nem falar dos queijos, ok? Esta história já é trágica demais sem ficarmos listando os queridos companheiros que pereceram antes do tempo.

E então, a cada crise, o técnico autorizado era chamado. Ele vinha, conversava com a GEladeira, fazia carinho, trocava os parafusos soltos e fazia com que ela voltasse a gelar. Mas essas crises existenciais se repetiram várias vezes ao longo do ano e, em dezembro de 2013, pequena Quel percebeu que a garantia da GE estava para vencer e que a diaba iria continuar tendo suas crises a cada três meses. Assim, pequena Quel tomou duas importantes decisões: pedir o dinheiro de volta (conforme prevê o código de “defesa” do consumidor) e comprar uma geladeira que fosse assim uma Brastemp.

É claro que conseguir o dinheiro de volta não foi fácil. Foram meses de muita luta e inúmeras ligações no SAC da MABE. A princípio, pequena Quel não estava só: ela tinha o Super-PROCON do seu lado. Levou um tempo até ela perceber que o PROCON só servia para lhe orientar incorretamente e lhe fazer promessas que não era capaz de cumprir. Ainda assim, após quase quatro meses e muito estresse, o dinheiro foi devolvido.
E aí pequena Quel foi toda saltitante comprar uma nova geladeira. Ela tomou banho, colocou uma roupa bonita, arrumou o cabelo, passou perfume e… entrou no site do Extra para comprar sua Brastemp. Depois de tantos meses e de tanta briga para se livrar do encosto da GE, tudo o que ela queria era uma geladeira decente, discreta e que cultuasse bons livros. A compra foi feita e a geladeira foi entregue. Fim? Até parece…

Depois de checar a nota fiscal e as etiquetas externas do produto, pequena Quel disse “tchau” aos simpáticos entregadores e foi abraçar e amar sua Brastemp. Tirar o plástico e as mil proteções de isopor foi uma diversão à parte. Nossa amiguinha pulava feliz da vida para conseguir soltar o plástico que se enroscou na parte de cima do refrigerador! Cenas de sincera felicidade.

Mas nem tudo são flores na vida de pequena Quel… quando ela finalmente foi conectar a bonitinha na tomada, veio a surpresa: 220V. Estranho, pois ela comprou uma 110V.
Nota fiscal: 110V
Etiqueta na porta: 127V
Etiqueta grande atrás da geladeira: 127V
Etiqueta pequena atrás da geladeira: 220V
Etiqueta no plug: 220V
Adesivo no motor: 220V
WTF? Tão brincando de quê?

Essa era para ser a geladeira perfeitinha… aquela que iria refrescar seus dias com chá gelado, cuidar do seu bacon, proteger seus queijos e, de quebra, gelar as taças ao lado da garrafa de champagne francês (pois pequena Quel é chique e manda beijin no ombro).

Agora nossa pequena aventureira parte em uma nova jornada: conseguir trocar a geladeira por uma com a voltagem definida e correta. O prazo informado para a troca é dia 28/03; afinal, geladeira não é algo assim tããão importante. Nossa heroína não estava fazendo nada mesmo, então ela pode se sentar e esperar. No momento só posso dizer que pequena Quel está aceitando doações de caixas de isopor e paciência.
E aí, amiguinhos? Conseguirá pequena Quel ter uma geladeira que funciona?

[Continua…]

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dezembro 2, 2014 at 2:27 pm

Indo ao Teatro…

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mascaras

Brasileiros, de modo geral, não têm o costume de frequentar teatros. Não os culpo. Entre os poucos teatros existentes, um número ainda menor está em boas condições e são acessíveis à população comum. Mesmo assim, quando vou assistir a um espetáculo, não consigo deixar de olhar feio para quem não respeita algumas das convenções do teatro.

É evidente que algumas apresentações permitem à plateia uma liberdade maior; mas, na maioria dos espetáculos, o bom senso pede para seguirmos as convenções: uma forma singela e centenária de mostrar ao artista o quanto você respeita o trabalho dele.

A maior dica para quem não está acostumado a frequentar teatros é OBSERVAR. Na dúvida, olhe discretamente para ver o que as outras estão fazendo; evita-se, dessa forma, aplaudir ou virar às costas para o palco na hora errada.

Os aplausos são um grande problema principalmente quando se trata de concertos: o costume é aplaudir apenas no final, e não entre os diversos atos ou movimentos que estiverem sendo executados. No entanto, mais mal educado do que quem aplaude no momento errado é quem o corrige com um sonoro “chiiii”.

aplausosAs convenções existem e eu, particularmente, as aprecio muito; mas é evidente que as regras podem ser quebradas, só que devemos tomar muito cuidado para não ofender os que nos brindam com sua arte: Beethoven, por exemplo, chegou a ser aplaudido em Paris após cada um dos movimentos, mas duvido que ele tenha se sentido ofendido. Vale o bom senso.

As campainhas do teatro, para mim, são sagradas. Sempre há quem, mesmo após a terceira campainha, continue conversando como se estivesse em sua própria casa. Eu fecho a boca logo após a segunda campainha, assim tenho tempo de me preparar para a apresentação. Imagino as campainhas como níveis de concentração: e a terceira exige toda a atenção do mundo voltada para o palco.

Comentar o que está se passando também pode ser muito desagradável. O melhor é guardar seus comentários para quando a apresentação estiver acabada. Lembro-me de uma vez que, enquanto todos esperavam que um ator fosse aparecer no palco, ele apareceu no fundo do teatro; e alguém gritou “ele está ali atrás!”. Ridículo. Teria sido muito mais educado se cada um que percebesse onde estava o ator virasse seu pescoço para trás, em pouco tempo todos já teriam notado e a fala da personagem não teria sido interrompida.

Falando em interrupção, de nada adianta desligar o celular se você não se lembrar de checar o relógio. Aqueles apitos de hora em hora também podem incomodar. Tosse também tem limite: se achar que não irá parar logo de tossir, o melhor é se dirigir ao banheiro e voltar quando estiver se sentindo melhor.

O final do espetáculo também exige alguns cuidados: em um concerto as palmas são longas, geralmente terminam após o maestro agradecer, pedir aos músicos para agradecerem e então agradecer novamente. Algumas vezes os aplausos vão além disso, obrigando o maestro a retornar mais vezes ao palco. Enquanto houver aplausos ele tentará ir embora e será obrigado a retornar, por isso também não é legal aplaudir demais.

E antes de sair, certifique-se de que os artistas deixaram o palco. Não vire às costas enquanto eles ainda estão apreciando os aplausos e desfrutando do resultado de sua apresentação.

plateiaSe você não ficou satisfeito com o que viu, não precisa aplaudir de pé; mas deixar de bater palma me parece um exagero. Você provavelmente escolheu ir ao teatro por conta própria, então não precisa ofender os artistas ou os que gostaram da apresentação. Expresse sua opinião ao não recomendar o espetáculo para um conhecido. Não precisa ser mal educado.

Para quem não tem o hábito de ir a teatros, é realmente difícil se policiar o tempo todo para respeitar às convenções ou para quebrá-las sem perder o bom senso, mas acho que vale o esforço.

Ser plateia também é uma arte; e se cada um desempenhar bem o seu papel, o espetáculo será ainda mais bonito.

Written by Quel

agosto 31, 2009 at 2:13 am

Publicado em Curiosidades, Momentos

Super Alunos da UNICAMP

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Situação 1 – Aula de Escrita e Oralidade: Ninguém era muito fã da aula, normal_unicampembora não fosse das piores. No começo do semestre a professora avisou que faríamos 2 trabalhos e uma prova. Até aí nada de anormal. As semanas foram se passando, fizemos os trabalhos, mas a professora nunca que marcava a tal prova. Para mim era óbvio que ninguém devia tocar no assunto. Mas não é que na penúltima semana de aula uma colega minha resolve abrir a boca? (“E a prova, professora?”). Pode? O pior foi a resposta da professora: “Nós tínhamos combinado uma prova? Não tem problema, vamos marcar para a semana que vem”. É claro que depois da prova até a coleguinha que nos fez passar por isso ficou reclamando da tarefa.

Situação 2 – Aula de Estágio Supervisionado I: É importante ressaltar que nenhum grupo de estágio tem aula, a não ser o meu (claro!); pois, com meu bom gosto para escolher professores, eu escolhi o único que faz questão de dar aulas, ao invés de só orientar o andamento do estágio que, diga-se de passagem, nem é remunerado. A Unicamp estava no começo da greve, alguns institutos e algumas faculdades já haviam aderido, mas a maioria nem havia se manifestado. No meu instituto só os funcionários estavam em greve, mas na Faculdade de Educação os professores e os alunos já haviam aderido. Como a aula é nessa Faculdade, por respeito aos alunos, o professor perguntou se nós estávamos em greve; um garoto da minha turma tentou mentir discretamente: disse que alguns estavam sim em greve e tentou enrolar o professor com um papo de que ainda estávamos conversando melhor a respeito. Mas é claro que várias vozes se levantaram para contestar: “Não! Não estamos em greve! Ninguém falou de entrar em greve ainda!”. Então ele decidiu prosseguir com a aula. Será que em nenhum momento passou pela cabeça da minha turma que se o garoto estava mentindo era porque ele tinha uma boa razão para isso? Todo mundo vivia reclamando das aulas e dos textos a serem lidos e apresentados (fora as muitas horas de estágio nas escolas), mas quando temos a real oportunidade de perder uma ou duas semanas de aula, todos se revoltam.

livrosSituação 3 – Aula de Interpretação de Texto: Minha professora, super antenada com o mundo virtual, decidiu pedir para que fizéssemos como trabalho final um filminho do tipo dos filminhos do you tube (sim, essa era a descrição do trabalho!). Ou seja, como tarefa final ela nos pediu uma animação em flash ou similar. Na hora eu imaginei o quanto aquilo me daria trabalho, mas não achei uma idéia tão ruim; fiquei até curiosa para ver como o resto da turma iria se virar (pois no IEL quem sabe mexer com o Word já é considerado “gênio da informática”). Eis que a professora ainda pede para fazermos uma resenha. A avaliação nessa disciplina seria composta por 3 provas e 3 resenhas, e quando a professora surgiu com essa idéia, pensei que estava livre da tal resenha, mas não. E o livro tem lá suas 250 páginas… Enfim, aula passada, depois de já ter verificado a opinião de alguns colegas, falei com a professora sobre a impossibilidade de se fazer uma resenha mais um trabalho bem feito em programas de computador nos quais nem sabemos mexer (ainda). Então a professora jogou a decisão para a turma: “Eu não abro mão da resenha, pois vocês não iriam ler o livro (risadinha de deboche). Então vocês podem escolher entre ‘resenha e trabalho’ e ‘resenha e prova”. Fiquei aliviada, era evidente que fazer uma prova em 2h era infinitamente melhor que passar 3 semanas aprendendo a usar editores de vídeo para produzir algo minimamente decente. Mas adivinhem? “Professora, a gente prefere o trabalho e a resenha! Pois o trabalho vai ser muito legal de fazer!”. Ou eles não têm mais o que fazer ou vão fazer uma droga de animação usando o Paint (última novidade no maravilhoso mundo das tecnologias digitais).

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she-nerdAgora me respondam? Essas pessoas têm vida pessoal? Jogam vídeo-game? Assistem Big Bang Theory na televisão? Saem com o namorado? Bebem com os amigos? Eu duvido. Sou uma das melhores alunas da minha turma, quiçá do Instituto, mas se surge uma oportunidade de não ter uma aula chata ou de não fazer uma prova, é claro que eu vou adorar! Não vejo problemas em querer estudar, mas eles exageram.

Written by Quel

junho 28, 2009 at 10:06 pm

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Diários de Viagem

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– Fevereiro de 1988bertioga-lugares-do-brasil

Uma criatura estrebuchada numa toalha sobre a areia. Linda. Sexy. Bronzeada. Todos os gatinhos da praia paqueravam a pequena menininha que delicadamente colocava seus dedinhos na boca, provocando. Era eu.

Já no segundo mês de vida tive minha primeira grande aventura: uma jornada à Bertioga.

A viagem fora cansativa e quente. Minha mãe insistia em me envolver em uma manta, quando o que eu mais queria era colocar meu mini biquíni preto e exibir minhas dobrinhas na perna.

Pequena Quel olhava a água com um misto de curiosidade e medo. Mal havia começado a enxergar e se deparava com um mar imenso e imensa quantidade de areia. Não conseguia se arrastar para além da toalha, pois seu pai, sempre atento, colocava-a de volta em segurança, para longe da contaminação da areia. Ao seu lado, o irmão construía castelos tão imensos que ela poderia entrar lá dentro, e ele a teria colocado lá se a mãe não o tivesse impedido.

bertiogaAinda me lembro de como minha boca espumava só de pensar em um sorvete, um belo picolé de uva. Mas só me era oferecido leite, quentinho. Só meu irmão percebeu minha angústia por uma comida de verdade e tentou me alimentar com milho cozido. Bom irmão.

Era um sem fim de cores e sons. Minhas orelhas ainda sensíveis, acostumadas com canções de ninar, não suportavam aquela música rude e primitiva. O hotel tinha um cheiro estranho, uma mistura de pinho-sol com camarão; muito diferente do cheirinho de morangos do meu quarto que ficara em Campinas. Secretamente eu me perguntava se algum dia retornaria à casa. Tanto tempo longe. Saudades dos meus brinquedos e do aconchego de meu bercinho.

Muitas lembranças boas certamente ficaram perdidas ao longo dos anos que me separam daquele frágil bebê em sua primeira grande aventura. Mas aquela viagem foi a primeira. De muitas outras.

Written by Quel

abril 21, 2009 at 6:51 pm

Sessão Pipoca

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Mais do que justo dedicar um post do novo blog à Lu, que sempre dizia que eu deveria voltar a escrever.

Após anos longe dos cinemas brasileiros, em 2006, houve a estréia do filme “Cavaleiros do Zodíaco – Prólogo do Céu” em uma única sala de cinema de Campinas. Era evidente que eu e meu irmão Rik, em respeito a nossa infância, não iríamos perder por nada essa estréia; e mais: levamos a Lu, nossa irmã pseudo-adotada. Como era o primeiro dia de exibição, já estávamos imaginando a quantidade de nerds que estariam conosco na sala, embora soubéssemos que o filme já não era novidade para os fãs com acesso à internet banda larga.

Ao comprarmos os ingressos decidimos entrar na sala uns 15 minutos antes para garantirmos bons lugares. Fomos os primeiros a entrar na sala, escolhemos nossos lugares perfeitos e nos sentamos para aguardar a multidão que logo mais lotaria a sala, sufocando Tchaikovsky com animadas conversas sobre a série.  O tempo foi passando e a multidão… bem, a multidão nunca chegava. Até cogitamos ter entrado na sala errada.

De repente a música clássica cessa, a sala fica mais escura, a tela se ilumina e começam os comerciais pré-filme. Ansiosos olhávamos para as duas entradas na esperança de que mais alguém se juntasse a nós… mas foi em vão: apenas três espectadores para a tão famosa saga dos Cavaleiros do Zodíaco.

Apesar da decepção de não vermos otakus e cosplayers, foi bom podermos conversar a vontade durante o filme… Nunca eu havia falado tanto dentro de uma sala de cinema! Não apenas informamos a Lu sobre a história de cada uma das personagens que apareciam, como também fizemos mil comentários sobre o que se passava;  até brigamos um pouquinho quando eu tentei em vão defender a heterosexualidade do meu adorado Shun, enquanto a Lu e o Rik se esforçavam para deturpar a imagem do meu pobre herói. O clima estava tão descontraído que abandonamos nossos tão bem escolhidos lugares para nos sentarmos na escada, bem no meio da sala.

Na metade do filme, algo incrível aconteceu: mais alguém apareceu! E o rapaz veio se aproximando com os olhos fixos em nós e, quando percebemos que era um funcionário do cinema, nos preparamos para levar uma bronca… pela bagunça, pelas conversas, por estarmos sentados no chão, por qualquer coisa. Mas o moço apenas sorriu e perguntou: o ar condicionado está bom assim ou vocês querem que eu desligue? Atendimento VIP.

Fomos para casa com a certeza de que outra tarde assim no cinema seria muito difícil de ser conseguida.

Written by Quel

março 22, 2009 at 1:35 am

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A quem me deu esse domínio, a quem me incentivou a escrever em um novo blog, a quem me responde as dúvidas mais bobas, a quem divide comigo um dia, uma casa, um sentimento; ao meu super-namorado: Eu te amo muito!

Written by Quel

dezembro 26, 2008 at 10:53 pm

Publicado em Momentos