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Archive for the ‘Momentos’ Category

Diários de Viagem

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– Fevereiro de 1988bertioga-lugares-do-brasil

Uma criatura estrebuchada numa toalha sobre a areia. Linda. Sexy. Bronzeada. Todos os gatinhos da praia paqueravam a pequena menininha que delicadamente colocava seus dedinhos na boca, provocando. Era eu.

Já no segundo mês de vida tive minha primeira grande aventura: uma jornada à Bertioga.

A viagem fora cansativa e quente. Minha mãe insistia em me envolver em uma manta, quando o que eu mais queria era colocar meu mini biquíni preto e exibir minhas dobrinhas na perna.

Pequena Quel olhava a água com um misto de curiosidade e medo. Mal havia começado a enxergar e se deparava com um mar imenso e imensa quantidade de areia. Não conseguia se arrastar para além da toalha, pois seu pai, sempre atento, colocava-a de volta em segurança, para longe da contaminação da areia. Ao seu lado, o irmão construía castelos tão imensos que ela poderia entrar lá dentro, e ele a teria colocado lá se a mãe não o tivesse impedido.

bertiogaAinda me lembro de como minha boca espumava só de pensar em um sorvete, um belo picolé de uva. Mas só me era oferecido leite, quentinho. Só meu irmão percebeu minha angústia por uma comida de verdade e tentou me alimentar com milho cozido. Bom irmão.

Era um sem fim de cores e sons. Minhas orelhas ainda sensíveis, acostumadas com canções de ninar, não suportavam aquela música rude e primitiva. O hotel tinha um cheiro estranho, uma mistura de pinho-sol com camarão; muito diferente do cheirinho de morangos do meu quarto que ficara em Campinas. Secretamente eu me perguntava se algum dia retornaria à casa. Tanto tempo longe. Saudades dos meus brinquedos e do aconchego de meu bercinho.

Muitas lembranças boas certamente ficaram perdidas ao longo dos anos que me separam daquele frágil bebê em sua primeira grande aventura. Mas aquela viagem foi a primeira. De muitas outras.

Written by Quel

abril 21, 2009 at 6:51 pm

Sessão Pipoca

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Mais do que justo dedicar um post do novo blog à Lu, que sempre dizia que eu deveria voltar a escrever.

Após anos longe dos cinemas brasileiros, em 2006, houve a estréia do filme “Cavaleiros do Zodíaco – Prólogo do Céu” em uma única sala de cinema de Campinas. Era evidente que eu e meu irmão Rik, em respeito a nossa infância, não iríamos perder por nada essa estréia; e mais: levamos a Lu, nossa irmã pseudo-adotada. Como era o primeiro dia de exibição, já estávamos imaginando a quantidade de nerds que estariam conosco na sala, embora soubéssemos que o filme já não era novidade para os fãs com acesso à internet banda larga.

Ao comprarmos os ingressos decidimos entrar na sala uns 15 minutos antes para garantirmos bons lugares. Fomos os primeiros a entrar na sala, escolhemos nossos lugares perfeitos e nos sentamos para aguardar a multidão que logo mais lotaria a sala, sufocando Tchaikovsky com animadas conversas sobre a série.  O tempo foi passando e a multidão… bem, a multidão nunca chegava. Até cogitamos ter entrado na sala errada.

De repente a música clássica cessa, a sala fica mais escura, a tela se ilumina e começam os comerciais pré-filme. Ansiosos olhávamos para as duas entradas na esperança de que mais alguém se juntasse a nós… mas foi em vão: apenas três espectadores para a tão famosa saga dos Cavaleiros do Zodíaco.

Apesar da decepção de não vermos otakus e cosplayers, foi bom podermos conversar a vontade durante o filme… Nunca eu havia falado tanto dentro de uma sala de cinema! Não apenas informamos a Lu sobre a história de cada uma das personagens que apareciam, como também fizemos mil comentários sobre o que se passava;  até brigamos um pouquinho quando eu tentei em vão defender a heterosexualidade do meu adorado Shun, enquanto a Lu e o Rik se esforçavam para deturpar a imagem do meu pobre herói. O clima estava tão descontraído que abandonamos nossos tão bem escolhidos lugares para nos sentarmos na escada, bem no meio da sala.

Na metade do filme, algo incrível aconteceu: mais alguém apareceu! E o rapaz veio se aproximando com os olhos fixos em nós e, quando percebemos que era um funcionário do cinema, nos preparamos para levar uma bronca… pela bagunça, pelas conversas, por estarmos sentados no chão, por qualquer coisa. Mas o moço apenas sorriu e perguntou: o ar condicionado está bom assim ou vocês querem que eu desligue? Atendimento VIP.

Fomos para casa com a certeza de que outra tarde assim no cinema seria muito difícil de ser conseguida.

Written by Quel

março 22, 2009 at 1:35 am

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A quem me deu esse domínio, a quem me incentivou a escrever em um novo blog, a quem me responde as dúvidas mais bobas, a quem divide comigo um dia, uma casa, um sentimento; ao meu super-namorado: Eu te amo muito!

Written by Quel

dezembro 26, 2008 at 10:53 pm

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