Quel

Libertas que será também

with 5 comments

Na bandeiraBandeira_Minas mineira lê-se: Libertas quae sera tamen.

A tradução desse verso, escolhido pelos inconfidentes para estampar a bandeira do estado de Minas Gerais, gera discussão somente entre os latinistas, pois, para grande parte da população, a indiscutível tradução seria “Liberta que serás também”.  E assim dizia ter traduzido Vinícius de Moraes no poema Pátria Minha:

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”

O lema latino é um verso que compõe a obra Bucólicas (também conhecida por Éclogas), de Virgílio. O famoso poeta da Eneida assim escreveu:

Libertas, quae sera tamen respexit inertem,
candidior postquam tondenti barba cadebat,
respexit tamen et longo post tempore venit,
postquam nos Amaryllis habet, Galatea reliquit.

(Bucolica, I, vv. 27-30)

Gosto de uma antiga tradução para esse trecho (de A.T.M., 1825):

A liberdade; a qual inda que tarde
Com tudo sobre mim então inerte,
Quando eu já branca tinha a minha barba,
Suas vistas lançou mui favoráveis.
Sim seus olhos pôz em mim, e chegou
Longo tempo depois, quando Amaryllis
Em seu poder nos tem, e Galeteia
De todo nos deixou inteiramente.

Entre as traduções aceitáveis para  o lema da bandeira a mais comum é “Liberdade, ainda que tardia”, mas na internet circulam diversas “traduções” para o dístico de Virgíliolibertas que sera. Há, por exemplo,  fotos de uma garota que tatuou: “Libertas que será também”. E, para mim, o mais curioso não é ter errado na tradução (poucas pessoas têm conhecido da língua latina ou tomam o cuidado de checar sua tradução leiga em uma fonte segura), o pior é o erro de português!

E então ela leva estampado no corpo a ignorância da língua latina (totalmente perdoável) e a ignorância da língua portuguesa (não tão perdoável assim).

Written by Quel

setembro 12, 2009 at 3:13 pm

Publicado em Curiosidades, Latim

Indo ao Teatro…

with one comment

mascaras

Brasileiros, de modo geral, não têm o costume de frequentar teatros. Não os culpo. Entre os poucos teatros existentes, um número ainda menor está em boas condições e são acessíveis à população comum. Mesmo assim, quando vou assistir a um espetáculo, não consigo deixar de olhar feio para quem não respeita algumas das convenções do teatro.

É evidente que algumas apresentações permitem à plateia uma liberdade maior; mas, na maioria dos espetáculos, o bom senso pede para seguirmos as convenções: uma forma singela e centenária de mostrar ao artista o quanto você respeita o trabalho dele.

A maior dica para quem não está acostumado a frequentar teatros é OBSERVAR. Na dúvida, olhe discretamente para ver o que as outras estão fazendo; evita-se, dessa forma, aplaudir ou virar às costas para o palco na hora errada.

Os aplausos são um grande problema principalmente quando se trata de concertos: o costume é aplaudir apenas no final, e não entre os diversos atos ou movimentos que estiverem sendo executados. No entanto, mais mal educado do que quem aplaude no momento errado é quem o corrige com um sonoro “chiiii”.

aplausosAs convenções existem e eu, particularmente, as aprecio muito; mas é evidente que as regras podem ser quebradas, só que devemos tomar muito cuidado para não ofender os que nos brindam com sua arte: Beethoven, por exemplo, chegou a ser aplaudido em Paris após cada um dos movimentos, mas duvido que ele tenha se sentido ofendido. Vale o bom senso.

As campainhas do teatro, para mim, são sagradas. Sempre há quem, mesmo após a terceira campainha, continue conversando como se estivesse em sua própria casa. Eu fecho a boca logo após a segunda campainha, assim tenho tempo de me preparar para a apresentação. Imagino as campainhas como níveis de concentração: e a terceira exige toda a atenção do mundo voltada para o palco.

Comentar o que está se passando também pode ser muito desagradável. O melhor é guardar seus comentários para quando a apresentação estiver acabada. Lembro-me de uma vez que, enquanto todos esperavam que um ator fosse aparecer no palco, ele apareceu no fundo do teatro; e alguém gritou “ele está ali atrás!”. Ridículo. Teria sido muito mais educado se cada um que percebesse onde estava o ator virasse seu pescoço para trás, em pouco tempo todos já teriam notado e a fala da personagem não teria sido interrompida.

Falando em interrupção, de nada adianta desligar o celular se você não se lembrar de checar o relógio. Aqueles apitos de hora em hora também podem incomodar. Tosse também tem limite: se achar que não irá parar logo de tossir, o melhor é se dirigir ao banheiro e voltar quando estiver se sentindo melhor.

O final do espetáculo também exige alguns cuidados: em um concerto as palmas são longas, geralmente terminam após o maestro agradecer, pedir aos músicos para agradecerem e então agradecer novamente. Algumas vezes os aplausos vão além disso, obrigando o maestro a retornar mais vezes ao palco. Enquanto houver aplausos ele tentará ir embora e será obrigado a retornar, por isso também não é legal aplaudir demais.

E antes de sair, certifique-se de que os artistas deixaram o palco. Não vire às costas enquanto eles ainda estão apreciando os aplausos e desfrutando do resultado de sua apresentação.

plateiaSe você não ficou satisfeito com o que viu, não precisa aplaudir de pé; mas deixar de bater palma me parece um exagero. Você provavelmente escolheu ir ao teatro por conta própria, então não precisa ofender os artistas ou os que gostaram da apresentação. Expresse sua opinião ao não recomendar o espetáculo para um conhecido. Não precisa ser mal educado.

Para quem não tem o hábito de ir a teatros, é realmente difícil se policiar o tempo todo para respeitar às convenções ou para quebrá-las sem perder o bom senso, mas acho que vale o esforço.

Ser plateia também é uma arte; e se cada um desempenhar bem o seu papel, o espetáculo será ainda mais bonito.

Written by Quel

agosto 31, 2009 at 2:13 am

Publicado em Curiosidades, Momentos

Baseado em Fatos Reais

with 3 comments

Sempre fui fascinada por filmes baseados em fatos reais. Não sei explicar o quanto me comove quando, ao final do filme, aparecem aqueles escritos contando o destino de algumas personagens, e é nesse momento que eu pareço cair na real de que tudo o que vi anteriormente fora baseado em histórias que realmente aconteceram. E quando o filme de fato termina, vem uma vontade louca de saber como foi a história de verdade e o que aconteceu com outros personagens.

CUIDADO: SPOILERS!

Um filme que me marcou muito foi O Oléo de Lorenzo (1992), sobre a luta de um garotinho para sobreviver a uma doença rara; eu nem conseguiria colocar nesse blog o quanto esse filme ainda mexe comigo. Sempre que revia o filme eu acessava a página da família dele para obter notícias, até o falecimento dele no ano passado.

Crowe-NashEm alguns filmes a história precisa ser um pouco modificada para agradar ao público, como em Uma Mente Brilhante (2001), no qual são omitidas as várias separações dele e da esposa por conta da instabilidade de John Nash. Também descobri que o discurso feito no final do filme, ao receber o Nobel de Economia, é fictício, pois como Nash deixou de usar remédios, ele foi proibido de fazer um discurso de agradecimento: uma idéia sensata se considerarmos que ele já promoveu idéias anti-semititas, muito embora ele tenha atribuído à sua doença tais pensamentos mais-que-politicamente incorretss. As visões que ele tinha no filme também são incorretas, uma vez que suas alucinações se limitavam a vozes.

robin-patchNo filme Patch Adams (1998), que, conforme o costume brasileiro, recebeu um sub-título de gosto duvidoso: o amor é contagioso; mudanças no roteiro fizeram com que o destino de uma importante personagem fosse alterado: a namorada de Patch da época de faculdade não foi morta, ao contrário, ela continua muito viva e é mãe de dois filhos de Patch, um deles possui o curioso nome de Atomic Zagnut Adams. O assassinato que tanto afetou a vida do médico é de um amigo seu, e não de sua namorada. E também o abalou o suicídio de seu tio, que ocorreu na mesma época em que uma antiga namorada o largou, o que o levou a pensar em suicídio.

smith-gardnerEm À Procura da Felicidade (2006), o final da personagem é contado, mas o filme esconde a infância terrível de Chris Gardner e sua má conduta na vida adulta: ele usava drogas (chegou a vender cocaína), era infiel (seu filho era fruto de um caso fora do casamento) e ele não era um pai tão atencioso (há relatos de que nos primeiros 4 meses do programa ele não fazia a menor idéia de onde estava a criança). Mas me dá arrepios saber que a cena no banheiro foi de fato baseada em um episódio real da vida de Gardner.

depp-dillingerE a inspiração para este post veio do filme Inimigos Públicos (2009), filmaço ainda em cartaz por aqui. As alterações no filme ficam por conta de incorreções na data da morte de alguns bandidos e no fato de duas civis terem sido mortas no tiroteio do cinema Biograph no dia da morte de Dillinger. Mas pesquisar sobre a verdadeira história do bandido me chamou a atenção pela história de Anna Sage, cujo destino não é revelado: ela acaba deportada para a Romênia dois anos após a morte de Dillinger; não é à toa que o policial não lhe dá nenhuma garantia.  Aliás, a expressão “dama de vermelho” para indicar uma pessoa não confiável surgiu por conta de Sage, que vestia uma saia laranja (vermelha sob a luz do cinema) para que os policiais pudessem reconhecer o famoso assaltante de bancos.

Eu adoro ler sobre as histórias reais por trás dos filmes, mesmo quando o filme em si não me agradou muito, como é o caso de O Exorcismo de Emily Rose (2005); o único filme sobre o qual eu nunca pesquisei e jamais irei pesquisar é A Troca (2008), simplesmente porque me chocou demais.

Parte das informações e algumas das imagens foram tiradas deste site: Chasing The Frog.

Written by Quel

agosto 16, 2009 at 5:20 pm

Publicado em Cinema

Mensagem Subliminar II: Harry Potter

with 19 comments

harry demonHá pouco tempo escrevi sobre as supostas mensagens subliminares no filme da Cinderela. Agora decidi compartilhar as mais bizarras notícias de subliminares nos livros de Harry Potter.

Não entendo como as pessoas se esforçam tanto para encontrar “satã” em tudo quanto é lugar; e o mais irônico é que quem procura pelo demônio são justamente aqueles que dizem negá-lo e não desejarem nenhuma referência a ele. Enfim, a série de livros da britânica J. K. Rowling não escapa aos olhos mais que treinados dos caça-subliminares:

sub harryA Subliminar mais divulgada na internet é de um site oficial (o qual parece não existir mais). O mais incrível é que os críticos nunca chegam a uma conclusão de qual figura satânica é que conseguem visualizar no fundo amarelo do tal site: alguns dizem que é uma bruxa, outros que é um bode, outros ainda alegam que é o próprio demônio. Eu até consigo distinguir dois olhinhos, mas querer afirma que a figura foi proposital e que ela é capaz de aliciar criancinhas inocentes me parece um exagero. Mas se ver o Michael Jackson em uma bandeja de gordura é possível, por que não ver o demônio em um pedacinho da imagem de fundo de um site fora do ar? Aliás, já pensaram que se o site não existe mais, quem anda divulgando o demônio através daquela imagem são os mesmo que dizem ter aversão a ele? Ouvi dizer que  são os melhores propagantistas do cão.

E há ainda um hilário artigo resultado de uma suposta entrevista na qual a autora admite ter pacto com o demônio:

J.K. Rowling não foi absolutamente como eu esperava que fosse: foi agradável, engraçada e admitiu pronta e abertamente que é satanista. “É verdade”, ela disse, “…eu trabalho para o diabo, belzebu, satã, lúcifer…em todas as suas manifestações profanas. Devo todo o meu sucesso, glória e poder ao meu doce e maravilhoso lúcifer.”
Mastigando ruidosamente um sanduíche de pepino, Rowling explicou que sua devoção ao príncipe das trevas foi gerada quando ela ainda era uma mãe solteira, que recebi (sic) auxílio do governo. Rowling, ou como ela mesma doravante deseja ser reconhecida, Sra. Satã, contou como estava sentada em uma cafeteria num dia cinzento, imaginando o que faria com sua vida vazia e sem objetivo, quando um pensamento a impactou: “Vou me oferecer de corpo e alma ao mestre das trevas e em retorno, ele me dará saúde e um poder absurdo sobre os fracos e deploráveis do mundo. E ele o fez!”

cucumber_sandwich_2Esse artigo pode ser encontrado em diversos sites de mensagens subliminares e notícias religiosas (como esse, esse e esse), mas tenho para mim que ele foi feito para um site de humor. Que outra explicação há para alguém misturar Rowling, Satã e sanduíches de pepino???

Há também quem veja no unicórnio e na fênix, dois animais mitológicos que, diga-se de passagem, são muito anteriores à obra de Rowling, referências ao demônio. Como ninguém percebeu isso antes? E ainda há quem afirme que a série é uma espécie de bíblia que ensina as pessoas a fazerem feitiço ou , como diz esse site: “os livros da série são manuais de feitiçaria e bruxaria disfarçados de entretenimento”. Claro! Porque todo mundo sabe que se dissermos “alohomora” com muita fé, não há fechadura que resista.

erisedMas a mais engraçada eu guardei para o final: uma leitora desavisada ficou estarrecida com o fato de que, no primeiro livro da série, o espelho no qual Harry vê refletido seus maiores desejos chama-se OJESED: desejo ao contrário. E então decidiu espalhar a novidade no Yahoo! Respostas:

O nome do espelho é: “Ojesed” que por mais curioso que seja ao contrario “Ojesed é Desejo” você pode testar…

E então ela se pergunta como uma autora “americana” teria “sem querer” colocado tal nome no espelho. E eis que alguns desavisados também compartilham da surpresa da garota, dizendo o quanto é interessante e legal a “descoberta” da guria.

Realmente, o demônio tem sido muito eficaz ao adentrar dessa forma na vida de pessoas inocentes.

Written by Quel

julho 12, 2009 at 10:27 pm

Publicado em Curiosidades, Subliminares

Traduzindo

leave a comment »

Traduzir qualquer língua não costuma ser uma tarefa fácil, geralmente envolve um grande conhecimento da língua e do texto que está sendo traduzido. Mas como o latim e o português são línguas parecidas (há quem diga que as línguas românicas são dialetos do latim, dada a semelhança), não é raro encontrar quem se atreva a fazer uma tradução sem ter a mínima noção do que está fazendo.

Concordo que alguns textos em latim, por serem tão conhecidos (tanto em latim quanto em português), são facilmente traduzíveis. Como este trecho da Vulgata, por exemplo:

dixitque Deus: ‘fiat lux!’ et lux facta est. (E Deus disse: “faça-se a luz!” e a luz foi feita)

E a internet reúne muitas dessas traduções bizarras de pessoas que nem conhecem o texto, muito menos a língua latina. Um exemplo é a tradução da estrofe em latim da música Nirvana (do grupo Elbosco), que pode ser encontrada em diversos blogs e sites de letras de músicas. Eis o trecho da canção:

Et erunt signa in sole
Et luna et stellis
Et presura gentium
Prae confusione sonitus maris.

E, como pode ser verificado, por exemplo, no Vagalume ou no Letras, a tradução mais comumente encontrada é a seguinte:sol

E sempre siga o sol
A lua e as estrelas;
E aprecie gentilmente
A confusão dos sons dos mares.

Um trecho muito bonitinho, mas totalmente distante do que realmente diz o texto em latim. Eis a minha tradução:

E haverá sinais no sol,
Na lua e nas estrelas,
E também haverá angústia entre os povos
Diante de uma confusão de sons do mar.

Este trecho, bem distante do alegre convite para se apreciar a natureza, é,  na verdade, uma citação bíblica (Lucas, 21:25) a respeito dos sinais do apocalipse!

Nota: É evidente que traduções diferentes da minha podem ser propostas, alguém pode, por exemplo, dar um sentido diferente para a preposição “prae”; mas acho improvável que o trecho possa assumir um sentido muito diferente do que eu apresentei aqui.

Written by Quel

julho 11, 2009 at 2:36 pm

Publicado em Curiosidades, Latim

+5 Fimes “Estrangeiros” que você tem que ver

with 2 comments

Estava lendo o Chongas quando me deparei com um post sobre filmes “estrangeiros” que, de tão fantásticos, merecem ser assistidos (várias vezes). E lá se encontram listados: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), O Labirinto do Fauno (2006) e Old Boy (2003). A França tem realmente produzido comédias interessantes como A Noiva Perfeita (2006) , O Closet (2001)  e a série Táxi (1998-2007), mas Amélie ainda é insuperável; Guillermo Del Toro está traçando seu caminho a la Tim Burton, e eu, claro, adoro; e Old Boy certamente foi uma surpresa para mim, pois não sou muito de assistir a filmes coreanos, mas tem pelo menos mais um filme desse diretor (Chan-wook Park) que eu recomendo: Sympathy for Mr. Vengeance (2002).

Assim, concordo plenamente com a lista do Chongas, e à essa lista decidi acrescentar mais 5 filmes estrangeiros que eu acredito serem memoráveis:

eternal_sunshineBrilho Eterno de uma Mente sem LembrançasEternal Sunshine of the Spotless Mind (2004):  Só pelo tamanho do título o filme já merece meu respeito. Mas trata-se certamente de um filme memorável. A sinopse pode parecer muito louca, mas quando assistimos não tem como não nos perguntarmos: “mas e se fosse possível apagar alguém de nossas lembraças?”.

Lars.And.The.Real.Girl[2007]DvDrip[Eng]-aXXo[(026100)17-53-07]A Garota IdealLars and the Real Girl (2009): Um filme recente, de orçamento modesto e com atores que, embora já conhecidos, ainda não se tornaram estrelas hiper-bem-pagas de Hollywood. Mas o destaque desse filme não fica só nas boas atuações, mas na hilária situação em que toda uma comunidade se vê envolvida quando Lars lhes apresenta sua namorada, Bianca que, entre muitas características curiosas, é metade brasileira e metade dinamarquesa.

BrugesNa Mira do ChefeIn Bruges (2008): Este filme realmente me surpreendeu. Decidi assistir depois de uma busca no Google para descobrir que raios era “Bruges”, e então descobri ser uma bela cidade na Bélgica. E um filme que se passa em um lugar lindo assim merece ser assistido, mesmo que a sinopse no IMDB não me sugerisse grande coisa. Mas como eu já disse, a história me surpreendeu. E, logo após ter feito O Sonho de Cassandra (2007), Colin Farrell fez bem em protagonizar esse filme, assim ele não se queimou muito. (Nota: até hoje não consegui ver graça em Woody Allen).

death_at_a_funeralMorte no FuneralDeath at a Funeral (2007): Uma comédia com vários dos clichês que vemos por aí. Mas essa realmente me fez rir do começo ao fim. Não vou dizer que possui uma moral a ser ensinada, ou que nos conduza a uma catarse, mas é um filme leve e divertido, e todo precisamos de momentos com risadas e pipocas. Mas Hollywood já está dando um jeito de estragar esse filme: estão fazendo um remake com Chris Rock e Martin Lawrence (Nota: por que um filme em língua inglesa e lançado a menos de 2 anos será submetido a esse martírio cinematográfico?).

igbyA Excêntrica Família de IgbyIgby Goes Down (2002): Pouco conhecido no Brasil, muito criticado e de longe meu filme favorito; Igby ainda conta com um elenco mega famoso que inclui Susan Sarandon, Bill Pullman e Jeff Goldblum. A quem gosta de humor negro, esse filme certamente vai agradar. Já aviso que foram poucas as pessoas para quem eu recomendei esse filme que de fato o apreciaram tanto quanto eu. Mas fica a dica.

E antes que alguém pergunte, estrangeiro para mim é todo filme não produzido no Brasil. Acho bizarra essa idéia de que filme estado-unidense não é estrangeiro para os brasileiros; já passou da hora de nós definirmos o que é estrangeiro pelos nossos próprios parâmetros, e não pelo que diz a cerimônia do Oscar. E só para constar: Hollywood, apesar de produzir um lixo comercial atrás do outro, também tem seus filmes incríveis e que devem ser assistidos.

Written by Quel

julho 4, 2009 at 8:56 pm

Publicado em Cinema

Super Alunos da UNICAMP

with one comment

Situação 1 – Aula de Escrita e Oralidade: Ninguém era muito fã da aula, normal_unicampembora não fosse das piores. No começo do semestre a professora avisou que faríamos 2 trabalhos e uma prova. Até aí nada de anormal. As semanas foram se passando, fizemos os trabalhos, mas a professora nunca que marcava a tal prova. Para mim era óbvio que ninguém devia tocar no assunto. Mas não é que na penúltima semana de aula uma colega minha resolve abrir a boca? (“E a prova, professora?”). Pode? O pior foi a resposta da professora: “Nós tínhamos combinado uma prova? Não tem problema, vamos marcar para a semana que vem”. É claro que depois da prova até a coleguinha que nos fez passar por isso ficou reclamando da tarefa.

Situação 2 – Aula de Estágio Supervisionado I: É importante ressaltar que nenhum grupo de estágio tem aula, a não ser o meu (claro!); pois, com meu bom gosto para escolher professores, eu escolhi o único que faz questão de dar aulas, ao invés de só orientar o andamento do estágio que, diga-se de passagem, nem é remunerado. A Unicamp estava no começo da greve, alguns institutos e algumas faculdades já haviam aderido, mas a maioria nem havia se manifestado. No meu instituto só os funcionários estavam em greve, mas na Faculdade de Educação os professores e os alunos já haviam aderido. Como a aula é nessa Faculdade, por respeito aos alunos, o professor perguntou se nós estávamos em greve; um garoto da minha turma tentou mentir discretamente: disse que alguns estavam sim em greve e tentou enrolar o professor com um papo de que ainda estávamos conversando melhor a respeito. Mas é claro que várias vozes se levantaram para contestar: “Não! Não estamos em greve! Ninguém falou de entrar em greve ainda!”. Então ele decidiu prosseguir com a aula. Será que em nenhum momento passou pela cabeça da minha turma que se o garoto estava mentindo era porque ele tinha uma boa razão para isso? Todo mundo vivia reclamando das aulas e dos textos a serem lidos e apresentados (fora as muitas horas de estágio nas escolas), mas quando temos a real oportunidade de perder uma ou duas semanas de aula, todos se revoltam.

livrosSituação 3 – Aula de Interpretação de Texto: Minha professora, super antenada com o mundo virtual, decidiu pedir para que fizéssemos como trabalho final um filminho do tipo dos filminhos do you tube (sim, essa era a descrição do trabalho!). Ou seja, como tarefa final ela nos pediu uma animação em flash ou similar. Na hora eu imaginei o quanto aquilo me daria trabalho, mas não achei uma idéia tão ruim; fiquei até curiosa para ver como o resto da turma iria se virar (pois no IEL quem sabe mexer com o Word já é considerado “gênio da informática”). Eis que a professora ainda pede para fazermos uma resenha. A avaliação nessa disciplina seria composta por 3 provas e 3 resenhas, e quando a professora surgiu com essa idéia, pensei que estava livre da tal resenha, mas não. E o livro tem lá suas 250 páginas… Enfim, aula passada, depois de já ter verificado a opinião de alguns colegas, falei com a professora sobre a impossibilidade de se fazer uma resenha mais um trabalho bem feito em programas de computador nos quais nem sabemos mexer (ainda). Então a professora jogou a decisão para a turma: “Eu não abro mão da resenha, pois vocês não iriam ler o livro (risadinha de deboche). Então vocês podem escolher entre ‘resenha e trabalho’ e ‘resenha e prova”. Fiquei aliviada, era evidente que fazer uma prova em 2h era infinitamente melhor que passar 3 semanas aprendendo a usar editores de vídeo para produzir algo minimamente decente. Mas adivinhem? “Professora, a gente prefere o trabalho e a resenha! Pois o trabalho vai ser muito legal de fazer!”. Ou eles não têm mais o que fazer ou vão fazer uma droga de animação usando o Paint (última novidade no maravilhoso mundo das tecnologias digitais).

___

she-nerdAgora me respondam? Essas pessoas têm vida pessoal? Jogam vídeo-game? Assistem Big Bang Theory na televisão? Saem com o namorado? Bebem com os amigos? Eu duvido. Sou uma das melhores alunas da minha turma, quiçá do Instituto, mas se surge uma oportunidade de não ter uma aula chata ou de não fazer uma prova, é claro que eu vou adorar! Não vejo problemas em querer estudar, mas eles exageram.

Written by Quel

junho 28, 2009 at 10:06 pm

Publicado em Momentos