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Super Alunos da UNICAMP

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Situação 1 – Aula de Escrita e Oralidade: Ninguém era muito fã da aula, normal_unicampembora não fosse das piores. No começo do semestre a professora avisou que faríamos 2 trabalhos e uma prova. Até aí nada de anormal. As semanas foram se passando, fizemos os trabalhos, mas a professora nunca que marcava a tal prova. Para mim era óbvio que ninguém devia tocar no assunto. Mas não é que na penúltima semana de aula uma colega minha resolve abrir a boca? (“E a prova, professora?”). Pode? O pior foi a resposta da professora: “Nós tínhamos combinado uma prova? Não tem problema, vamos marcar para a semana que vem”. É claro que depois da prova até a coleguinha que nos fez passar por isso ficou reclamando da tarefa.

Situação 2 – Aula de Estágio Supervisionado I: É importante ressaltar que nenhum grupo de estágio tem aula, a não ser o meu (claro!); pois, com meu bom gosto para escolher professores, eu escolhi o único que faz questão de dar aulas, ao invés de só orientar o andamento do estágio que, diga-se de passagem, nem é remunerado. A Unicamp estava no começo da greve, alguns institutos e algumas faculdades já haviam aderido, mas a maioria nem havia se manifestado. No meu instituto só os funcionários estavam em greve, mas na Faculdade de Educação os professores e os alunos já haviam aderido. Como a aula é nessa Faculdade, por respeito aos alunos, o professor perguntou se nós estávamos em greve; um garoto da minha turma tentou mentir discretamente: disse que alguns estavam sim em greve e tentou enrolar o professor com um papo de que ainda estávamos conversando melhor a respeito. Mas é claro que várias vozes se levantaram para contestar: “Não! Não estamos em greve! Ninguém falou de entrar em greve ainda!”. Então ele decidiu prosseguir com a aula. Será que em nenhum momento passou pela cabeça da minha turma que se o garoto estava mentindo era porque ele tinha uma boa razão para isso? Todo mundo vivia reclamando das aulas e dos textos a serem lidos e apresentados (fora as muitas horas de estágio nas escolas), mas quando temos a real oportunidade de perder uma ou duas semanas de aula, todos se revoltam.

livrosSituação 3 – Aula de Interpretação de Texto: Minha professora, super antenada com o mundo virtual, decidiu pedir para que fizéssemos como trabalho final um filminho do tipo dos filminhos do you tube (sim, essa era a descrição do trabalho!). Ou seja, como tarefa final ela nos pediu uma animação em flash ou similar. Na hora eu imaginei o quanto aquilo me daria trabalho, mas não achei uma idéia tão ruim; fiquei até curiosa para ver como o resto da turma iria se virar (pois no IEL quem sabe mexer com o Word já é considerado “gênio da informática”). Eis que a professora ainda pede para fazermos uma resenha. A avaliação nessa disciplina seria composta por 3 provas e 3 resenhas, e quando a professora surgiu com essa idéia, pensei que estava livre da tal resenha, mas não. E o livro tem lá suas 250 páginas… Enfim, aula passada, depois de já ter verificado a opinião de alguns colegas, falei com a professora sobre a impossibilidade de se fazer uma resenha mais um trabalho bem feito em programas de computador nos quais nem sabemos mexer (ainda). Então a professora jogou a decisão para a turma: “Eu não abro mão da resenha, pois vocês não iriam ler o livro (risadinha de deboche). Então vocês podem escolher entre ‘resenha e trabalho’ e ‘resenha e prova”. Fiquei aliviada, era evidente que fazer uma prova em 2h era infinitamente melhor que passar 3 semanas aprendendo a usar editores de vídeo para produzir algo minimamente decente. Mas adivinhem? “Professora, a gente prefere o trabalho e a resenha! Pois o trabalho vai ser muito legal de fazer!”. Ou eles não têm mais o que fazer ou vão fazer uma droga de animação usando o Paint (última novidade no maravilhoso mundo das tecnologias digitais).

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she-nerdAgora me respondam? Essas pessoas têm vida pessoal? Jogam vídeo-game? Assistem Big Bang Theory na televisão? Saem com o namorado? Bebem com os amigos? Eu duvido. Sou uma das melhores alunas da minha turma, quiçá do Instituto, mas se surge uma oportunidade de não ter uma aula chata ou de não fazer uma prova, é claro que eu vou adorar! Não vejo problemas em querer estudar, mas eles exageram.

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junho 28, 2009 at 10:06 pm

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

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Já viu o teaser trailer do Harry Potter? Agora os teasers divulgados têm legenda em português:

Teaser 1 halfblood_poster

Teaser 2

Teaser 3

Teaser 4

Teaser 5

Teaser 6

Teaser 7

Teaser 8

Se cometi algum erro nas legendas, por favor, me avise.

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maio 25, 2009 at 5:00 pm

Publicado em Cinema

Comercial do Canal Plus

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Já tem algum tempo que o Canal Plus francês veiculou o comercial  abaixo, mas o vídeo é tão interessante que tem sido muito assistido no YouTube. Como não havia uma opção com legendas em português, e (pasmem!) nem todo mundo fala francês… tentei legendar o filme para que mais pessoas pudessem conhecê-lo.

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maio 10, 2009 at 7:58 pm

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Diários de Viagem

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– Fevereiro de 1988bertioga-lugares-do-brasil

Uma criatura estrebuchada numa toalha sobre a areia. Linda. Sexy. Bronzeada. Todos os gatinhos da praia paqueravam a pequena menininha que delicadamente colocava seus dedinhos na boca, provocando. Era eu.

Já no segundo mês de vida tive minha primeira grande aventura: uma jornada à Bertioga.

A viagem fora cansativa e quente. Minha mãe insistia em me envolver em uma manta, quando o que eu mais queria era colocar meu mini biquíni preto e exibir minhas dobrinhas na perna.

Pequena Quel olhava a água com um misto de curiosidade e medo. Mal havia começado a enxergar e se deparava com um mar imenso e imensa quantidade de areia. Não conseguia se arrastar para além da toalha, pois seu pai, sempre atento, colocava-a de volta em segurança, para longe da contaminação da areia. Ao seu lado, o irmão construía castelos tão imensos que ela poderia entrar lá dentro, e ele a teria colocado lá se a mãe não o tivesse impedido.

bertiogaAinda me lembro de como minha boca espumava só de pensar em um sorvete, um belo picolé de uva. Mas só me era oferecido leite, quentinho. Só meu irmão percebeu minha angústia por uma comida de verdade e tentou me alimentar com milho cozido. Bom irmão.

Era um sem fim de cores e sons. Minhas orelhas ainda sensíveis, acostumadas com canções de ninar, não suportavam aquela música rude e primitiva. O hotel tinha um cheiro estranho, uma mistura de pinho-sol com camarão; muito diferente do cheirinho de morangos do meu quarto que ficara em Campinas. Secretamente eu me perguntava se algum dia retornaria à casa. Tanto tempo longe. Saudades dos meus brinquedos e do aconchego de meu bercinho.

Muitas lembranças boas certamente ficaram perdidas ao longo dos anos que me separam daquele frágil bebê em sua primeira grande aventura. Mas aquela viagem foi a primeira. De muitas outras.

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abril 21, 2009 at 6:51 pm

Da Arte de se Trabalhar em Grupo

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Trabalhar em grupo pode ser um desafio imenso, ainda mais quando você não pode escolher seus colegas de trabalho. Mas, pelo bem do seu desempenho acadêmico, é preciso escolher muito bem as palavras para se comunicar com o pessoal.

Eis uma pequena lista de como traduzir seus pensamentos em frases cordiais:

NEM FODENDO!
Não tenho certeza se vai ser possível.

TÔ CAGANDO E ANDANDO.
Não vejo razão para nos preocuparmos.

MAS QUE PORRA EU TENHO A VER COM ESTA MERDA?
Inicialmente, eu não estava envolvido nessa parte do trabalho.

CARALHO!
Interessante, não?

FODA-SE!
Não acho que seja necessário.

NÃO VAI DAR NEM A PAU.
Acho que há razões que impossibilitam a concretização dessa tarefa.

PUTA MERDA, VIADO NENHUM ME FALA NADA!
Precisamos marcar outra reunião para conversarmos.

E NA BUNDINHA, NÃO VAI NADA?
Talvez eu possa fazer essa parte também.

O CARA É UM BOSTA.
Ele não entende muito desse tema.

VÁ À MERDA!
Sinto muito.

VÁ PRA PUTA QUE O PARIU.
Sinto muito, mesmo.

VÁ PRA PUTA QUE O PARIU, SEU VIADO!
Sinto muito, você tem razão.

BANDO DE FILHOS DA PUTA!
O outro grupo está fazendo um trabalho legal.

FODA-SE! SE VIRA!
Infelizmente, não posso te ajudar.

PUTA TRABALHINHO DE CORNO.
Adoro desafios.

AH, DEU PRO PROFESSOR?
Que bom que você ficou com 10!

ENFIA ESSA MERDA NO CU!
Está legal, mas por que você não refaz essa parte?

AH, SE EU PEGO O FILHO DA PUTA QUE FEZ ISSO!
Essa parte do texto não se encaixou muito bem.

ESTA MERDA TÁ INDO PRO BURACO.
O trabalho está mais difícil do que o esperado.

AGORA FUDEU DE VEZ!
A apresentação é para amanhã.

EU SABIA QUE IA DAR MERDA.
Desculpe, mas se eu tivesse sido consultada, teria dito que não daria certo.

OH CACETE! VAI SAIR CAGADA DE NOVO.
Deixa que eu corrijo isso, vocês já fizeram o bastante.

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Nota: texto adaptado a partir de um que tá rolando na net há algum tempo e que pode ser encontrado no Cidadão Maluco.

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abril 15, 2009 at 7:44 pm

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Preconceitos

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No imaginário de muitas pessoas, os americanos (estado-unidenses) são um povo racista que não tolera a diferença. Embora a mídia goste de divulgar os casos extremados de racismos que acontecem nos EUA, sabemos que eles são um povo tão heterogêneo quanto nós: cheios de raças e culturas diferentes que dificultam a definição do conceito “ser americano”.

gran-torinoNão querendo dizer que não há preconceito nos States, imagino que ainda existam muitos americanos que não se deram conta de que a nação deles pertence também a judeus, africanos, latinos, europeus, asiáticos e mais uma infinidade desses rótulos criados para tentar agrupar seres humanos, dividindo-os ora por religião, ora por cor da pele, ora por país de origem, ora por sotaque, etc.

Crash – no limite (2004) mereceu o Oscar de melhor filme ao ser capaz de mostrar como o preconceito é um mau que atinge diferentes culturas. Podem ser muitas as pessoas que têm medo do que lhes é estranho, mas os americanos brancos e conservadores costumam ser lembrados como os mais racistas.

Digo isso para mostrar como o cinema americano tem tentado cada vez maisrio-congelado mostrar que esses americanos conservadores podem vencer o preconceito e rever a maneira como encaram outras culturas. E ainda mostram como essas pessoas só têm a ganhar ao se abrirem para novas culturas. Geralmente motivados por uma tragédia pessoal, os filmes procuram mostrar que mesmo a mais preconceituosa das pessoas pode aprender a conviver com o diferente e aprender com ele.

Em Campinas estão em cartaz três grandes filmes que de uma forma ou de outra esbarram nessa transformação do americano preconceituoso em uma pessoa mais consciente a respeito das outras culturas: Rio Congelado (2008), O Visitante (2007) e Gran Torino (2008). Três histórias que emocionam, mas que também nos fazem refletir sobre a intolerância.

the-visitorOs americanos podem aprender muito com esses filmes, mas nós brasileiros também temos muito o quê aprender. Será que o cinema é uma mídia capaz de ajudar alguém a se tornar um ser humano melhor? Não sei. E também não me arriscaria dizer que esse era o objetivo dos produtores. Mas fica a dica de três excelentes filmes que contam as histórias de americanos que foram obrigados a rever o posicionamento deles diante do outro, do exótico, sem que, necessariamente, o combate ao preconceito seja o mote principal do filme.

Em tempo: existe ainda um quarto filme, também em cartaz no momento, que parece tratar do tema; mas ainda não tive a oportunidade de assisti-lo: Território Restrito (2009).

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abril 12, 2009 at 4:16 pm

Publicado em Cinema

Mensagem Subliminar: Cinderela

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É irritante ler a respeito de mensagens subliminares na internet, pois agora qualquer coisa é motivo para alguém sair divulgando que se trata de uma referência ao demônio, apologia ao suicídio, incentivo às crianças para matarem seulucifer-cara-de-mau1s pais, etc. E os filmes da Disney se tornaram o alvo preferido.

Quem digitar Lúcifer e Cinderela no Google ficará surpreso com a quantidade de sites que simplesmente repetem o que algum espertinho resolver falar a respeito da presença maligna de Lúcifer no desenho da Gata Borralheira (1950). É justamente a este texto tão divulgado na internet que pretendo responder:

Mensagens Subliminares em Cinderela:

– Um ratinho é descoberto no porão, e ainda não fala como os outros, amigos de Cinderela, porém quando colocam nele um chapeuzinho e um par de sapatinhos como de duendes, este imediatamente começa a falar.

ratinho

Eu vejo nas roupinhas mais uma humanização dos animais do que uma relação com duendes. Mas se alguém deseja ver duendes por toda parte, eu respeito.

– O nome do gato é lúcifer. Cinderela abre a porta do quarto, a luz entra e bate nos olhos do gato que acabara de acordar, e o chama: ” – Lúcifer, venha aqui”.

Uma invocação do demônio? Ora, mesmo que fosse, seria então preciso destacar que Lúcifer se recusa a ir de encontro à Cinderela e então ela ordena que ele faça a sua vontade. Sendo assim, a mensagem poderia ser a de que podemos nos impor sobre a vontade do Diabo e lhe dar ordens. Mas, sinceramente, eu acho isso tudo uma grande besteira. O nome do gato é Lúcifer, sim, e daí? Não entendo essa relação feita com o próprio Satã. (Quem quiser acompanhar a cena pode encontrá-la neste link do YouTube).

– Logo após esta cena, acontece um diálogo entre a Cinderela e o cachorro (Bruno) que acabara de ter um pesadelo com o gato (Lúcifer). Ela tenta convencê-lo que Lúcifer é bom, e diz: “…Lúcifer tem o seu lado bom…” Isto traz confusão na mente das crianças, pois quando os pais estiverem ensinando a respeito de Satanás, o filho que tem a cena gravada no seu inconsciente, diz a si mesmo: “Ora, mas ele tem o seu lado bom”

Esse comentário é particularmente hilário. Mesmo que o filme estivesse tentando levar as criancinhas a abandonarem suas crenças e se juntarem ao Sr. Walt Disney em uma seita satânica, faltou lembrar que Cinderela, ao tentar mostrar o lado bom de Lúcifer, não consegue enumerar nenhuma qualidade do bichano. Observe a fala de Cinderela (eu fiz a tradução do original, pois não consegui assistir à versão dublada do filme):

Cinderella: [to Bruno, the dog] Dreaming again. Chasing Lucifer? Catch him this time? That’s bad. (Sonhando novamente. Perseguindo Lúcifer? Você o pegou desta vez? Que feio!) [Lucifer snickers]

Cinderella: Suppose they heard you upstairs. You know the orders. So if you don’t want to lose a warm, nice bed, you’d better get rid of those dreams. Know how? Just learn to like cats. (Acho que lhe ouviram lá em cima. Você conhece as ordens. Então, se você não deseja perder uma cama boa e quentinha, é melhor você se livrar desses sonhos. Sabe como? É só aprender a gostar de gatos.)

[Bruno groans]

Cinderella: No, I mean it. Lucifer has his good points, too. For one thing, he… Well, sometimes he… Hmmm. There must be something good about him! [Bruno laughs at Lucifer] (Não, eu falo sério. Lúcifer também tem seu lado bom. Por exemplo, ele… bem, algumas vezes, ele… Hmmm. Tem que haver algo de bom nele!)

Se a Disney pretendia passar a mensagem de que o Diabo é uma criatura boa através do gato Lúcifer, não fez um bom trabalho. Como eu já disse, não acredito que a intenção fosse relacionar o gato com o símbolo cristão para O Mau, mas mesmo se fosse o caso, não vejo uma exaltação do demônio através das personagens do filme.

Em um site também encontrei o seguinte comentário sob o título “O império do mal” (sic) de alguém que assina como “Pastor Josué Urion”.

Já reparou bem no nome do gato desse desenho? “Lúcifer”! Carácules! Isso é a maior conjuração! É uma evocação da entidade Lúcifer, o demônio! Tem uma cena em que a Cinderela chama esse gato. Experimente fechar os olhos durante essa cena. Apenas ouça ela falar: “Lúcifer, venha cá.”. Você teria coragem de falar “Lúcifer, venha cá” em sua própria casa? (bom…com certeza não se estiver sozinho e for meia-noite) Como deixa um desenho animado fazer isso por você?

lucifer-dormindo

Vale destacar que Lúcifer, a princípio, não significa Demônio. É uma palavra latina que, literalmente, significa “o portador da luz”, “aquele que carrega a luz” (Luci-, de luz – em latim, Lux, lucis; e -fer, imperativo do verbo carregar – em latim, ferre ). Lúcifer era o nome dado à Vênus, à Estrela D’Alva, a estrela mais brilhante pela manhã. O que me parece evidente quando, no filme, a primeira vez que vemos o gato é com a luz da manhã batendo em seu rosto.

Acredita-se que a palavra só tenha ganhado o sentido de Demônio por conta de uma passagem bíblica. Observe Isaías (14:12), na Vulgata, tradução da bíblia para o latim:

Quomodo cecidisti de caelo, lucifer, fili aurorae? Deiectus es in terram, qui deiciebas gentes.” (Como caíste do céu, lúcifer, filho da aurora? Foste jogado por terra, tu que derrubavas os povos.)

Essa passagem faz parte de um discurso dirigido ao Rei da Babilônia, provavelmente o tirano Nabonide, prevendo sua queda no poder e a libertação do povo de Israel. Assim, a partir de uma comparação entre o Rei da babilônia e a Estrela D’Alva, passou a se associar o nome Lúcifer (tão inocente no início) com o de um anjo que supostamente teria caído do céu. Não é de se estranhar que nas traduções da bíblia evita-se chamar a estrela de Lúcifer: na minha versão francesa da bíblia lê-se “Astre brillant”; e na portuguesa, “Estrela brilhante” e então segue uma nota dizendo “Daí vem o nome Lúcifer, dado a Satã”.

lucifer-carinhoO fato de o gato ser malvado não ajuda muito minhas teorias… mas eu o vejo mais como um personagem caprichoso e encrenqueiro, como são os gatos no imaginário de muitas crianças; se prestarmos atenção na relação do gato com a Cinderela no início do filme, para mim fica claro que ele quer a atenção dela, o que não ganha. Observe a cena em que ele simula ter sido atacado pelo cachorro, o que faz com que Cinderela conduza Bruno para fora da casa; no momento em que o gato vai receber o leite, é evidente que ele queria um carinho da princesa, mas recebe a bebida secamente.

Ele não é a encarnação do demônio. É só um gato.

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abril 1, 2009 at 2:00 pm

Watchmen

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watchmen

Sou fã descarada das adaptações de HQs, mas confesso que quase não leio quadrinhos… Então, como fã desse gênero cinematográfico, estava ansiosa para ver Watchmen. Li críticas muito boas e outras muito ruins, e não pretendo repetir tudo o que os outros disseram, então vou comentar o que não tenho lido em outros blogs.

No filme há muitas cenas às quais eu não consegui assistir. Por mais que meu namorado apontasse e tentasse me fazer olhar, eu virava a cara toda vez que sentia que uma cena violenta estava se aproximando. Tem personagens que sofrem fraturas expostas e outros que têm partes de seu corpo comidas (por homens ou cães), um verdadeiro horror para quem não curte muito sangue. Ainda assim eu não acho que a violência tenha sido usada em vão. Tanto horror de fato ajuda a contar uma história de super-heróis sem infantilizar, como ocorreu com emo-aranha no seu último filme. As relações entre os heróis são coerentemente tão complexas que poderiam ser reais.

Minha única crítica fica para uma falha que talvez não seja apenas do filme (ainda não li os quadrinhos): os papéis femininos são fracos e estão ali apenas para servirem de fundo aos tão importantes homens desta história. Não querendo ser feminista, mas Laurie poderia ser uma personagem mais esperta e expressar uma opinião de vez em quando…

Curiosidade: Não posso deixar de comentar a famosa frase do filme:  “quem vigia os vigilantes?”… Trata-se de um conhecido provérbio de uso universal cujo primeiro registro se encontra nas Sátiras do poeta romano Juvenal, livro VI: sed quis custodiet ipsos custodes? (Mas quem guardará os próprios guardas?). Fantástico como um provérbio latino coube tão bem ao explicar o que se passa com os heróis do filme.

Written by Quel

março 29, 2009 at 6:29 pm

Publicado em Cinema

Sessão da Tarde 2.0

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Muitos livros infantis já renderam adaptações de sucesso nas mãos de bons produtores. E o melhor é que os filmes voltados para crianças, mesmo após saírem de cartaz, têm exibição garantida nas sessões vespertinas como a Sessão da Tarde, na Rede Globo e o Cinema em Casa, no SBT.

capa-1971-ok1Um clássico da minha infância foi A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka & The Chocolate Factory, 1971), que eu assisti dezenas de vezes. O filme foi baseado no livro infanto-juvenil Charlie and The Chocolate Factory, de Roald Dahl, e teve o roteiro adaptado pelo próprio autor. A história do esquisito Willy Wonka e seus Oompa Loompas em busca de um herdeiro para seu império de chocolate é contada com muito bom humor e através de recursos visuais que satisfaziam os olhos dos espectadores da época e não deixavam de conquistar as crianças da minha geração (final dos 80, início dos anos 90).

capa-2005-okOs personagens marcantes, a história bonitinha e o cenário inesquecível de uma fantástica fábrica de chocolate foram bons o bastante para fazer com que a Warner Bros. decidisse produzir um novo filme em 2005: Charlie and the Chocolate Factory, que no Brasil também foi chamado de A Fantástica Fábrica de Chocolate.
Sem a participação do próprio autor na elaboração do roteiro, parece que o filme ficou ainda mais próximo do universo do livro. Além das novas tecnologias disponíveis, o filme ainda contou com a direção do maravilhoso Tim Burton e com a atuação de atores já famosos como Freddie Highmores (Em Busca da Terra do Nunca) e Helena Bonham Carter, além do super astro Johnny Depp.
Claro que as comparações entre os dois filmes são inevitáveis, mas acho complicado querer julgar um em detrimento do outro quando foram produzidos em épocas tão diferentes da história do cinema. Selecionei algumas imagens dos filmes:

charlie-ok

oompa-loompa-ok

willy-wonka-ok

Recentemente estreou nos Estados Unidos o filme Race to Witch Mountain, ainda sem estréia prevista aqui no Brasil. O nome do filme imediatamente me lembrou de A Montanha Enfeitiçada (Escape to Witch Mountain, 1995), outro clássico que eu assistia durante as férias escolares.  O filme conta a história de dois irmãos gêmeos que foram separados ainda bebês e que, após se reencontrarem por acaso em um orfanato, descobrem que possuem poderes sobrenaturais quando estão juntos. Uma rápida busca me mostrou que ambos os filmes são adaptações da Disney a partir do livro Escape to Witch Mountain, de Alexander Key. Mas mesmo o filme de 1995 já era um remake de um filme de 1975 (também da Disney), que parece ter sido absurdamente famoso na época e chegou a ganhar uma continuação em 1978 (Return from Witch Mountain). Portanto, o livro ganhou este ano sua terceira versão cinematográfica, agora com a atriz AnnaSophia Robb (a mesma Violet de A Fantástica Fábrica de Chocolate) e o famoso, mas não tão expressivo, Dwayne Johnson (O Escorpião Rei).

Acho que vai valer a pena conferir, pois, no mínimo, renderá uma tarde de nostalgia.

witch-mountain-ok

Written by Quel

março 29, 2009 at 5:56 pm

Publicado em Cinema

Sessão Pipoca

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Mais do que justo dedicar um post do novo blog à Lu, que sempre dizia que eu deveria voltar a escrever.

Após anos longe dos cinemas brasileiros, em 2006, houve a estréia do filme “Cavaleiros do Zodíaco – Prólogo do Céu” em uma única sala de cinema de Campinas. Era evidente que eu e meu irmão Rik, em respeito a nossa infância, não iríamos perder por nada essa estréia; e mais: levamos a Lu, nossa irmã pseudo-adotada. Como era o primeiro dia de exibição, já estávamos imaginando a quantidade de nerds que estariam conosco na sala, embora soubéssemos que o filme já não era novidade para os fãs com acesso à internet banda larga.

Ao comprarmos os ingressos decidimos entrar na sala uns 15 minutos antes para garantirmos bons lugares. Fomos os primeiros a entrar na sala, escolhemos nossos lugares perfeitos e nos sentamos para aguardar a multidão que logo mais lotaria a sala, sufocando Tchaikovsky com animadas conversas sobre a série.  O tempo foi passando e a multidão… bem, a multidão nunca chegava. Até cogitamos ter entrado na sala errada.

De repente a música clássica cessa, a sala fica mais escura, a tela se ilumina e começam os comerciais pré-filme. Ansiosos olhávamos para as duas entradas na esperança de que mais alguém se juntasse a nós… mas foi em vão: apenas três espectadores para a tão famosa saga dos Cavaleiros do Zodíaco.

Apesar da decepção de não vermos otakus e cosplayers, foi bom podermos conversar a vontade durante o filme… Nunca eu havia falado tanto dentro de uma sala de cinema! Não apenas informamos a Lu sobre a história de cada uma das personagens que apareciam, como também fizemos mil comentários sobre o que se passava;  até brigamos um pouquinho quando eu tentei em vão defender a heterosexualidade do meu adorado Shun, enquanto a Lu e o Rik se esforçavam para deturpar a imagem do meu pobre herói. O clima estava tão descontraído que abandonamos nossos tão bem escolhidos lugares para nos sentarmos na escada, bem no meio da sala.

Na metade do filme, algo incrível aconteceu: mais alguém apareceu! E o rapaz veio se aproximando com os olhos fixos em nós e, quando percebemos que era um funcionário do cinema, nos preparamos para levar uma bronca… pela bagunça, pelas conversas, por estarmos sentados no chão, por qualquer coisa. Mas o moço apenas sorriu e perguntou: o ar condicionado está bom assim ou vocês querem que eu desligue? Atendimento VIP.

Fomos para casa com a certeza de que outra tarde assim no cinema seria muito difícil de ser conseguida.

Written by Quel

março 22, 2009 at 1:35 am

Publicado em Momentos